Para mim não é fácil dizer que não acredito no Deus idealizado por seguidores das várias das religiões ocidentais.
Fui criada em um ambiente de muita religiosidade (minha vó era protestante, fanática da Assembléia de Deus) e a bíblia, o véu, a postura severa com relação às coisas ditas “mundanas” fazem parte de minhas lembranças. Minha mãe de crente, depois de uma parada cardíaca, passou a espiritualista (não confunda com espírita) e resolveu explorar cientificamente o outro lado. Ela é muito sensitiva e já aprendi muita coisa com ela (pirâmides, ufologia, viagem astral, etc). Eu já freqüentei muito igreja protestante (batista, metodista, presbiteriana) foram os lugares nos quais mais fiz amigos, acabei por noivar neste ambiente, mas sempre me senti estrangeira. Aliás, esta é uma sensação que me acompanha onde quer que eu vá. Meu marido é originalmente católico, eu originalmente evangélica, ambos não praticantes. Ele por relapso, eu por convicção. Meu filho fez catequese e fez 1ª comunhão (a pedido do pai), estuda em escola adventista e já aprendeu que todas as religiões são boas e que para algumas das “verdades” bíblicas existe explicação científica e para outras não.
Acredito na liberdade de escolha e na existência dicotômica do bem e do mal dentro de cada um. Acho que o maior problema do homem é usar este mal natural para atingir o outro, e em benefício próprio. Mas não acredito mais em diabo, nem em pecado, isto tudo, sabe-se que grande parte dos dogmas cristãos são nada mais que estratégias pra controlar, amedrontar e doutrinar seus cordeirinhos. Apesar dos meus demônios pessoais controlados (acho), sou uma pessoa que gosta muito de se doar, estar com as pessoas humildes, participar de projetos de extensão e voluntariado. Eu me sinto melhor neste papel, do que entre os professores-doutores e seus saltos altos.
Enfim, não acho nada de mais dizer: vai com Deus, fica com Deus, Deus lhe proteja, pois, estas palavras confortam e dão a sensação de proteção instantânea e esperança causadas pelo próprio ato da fé - além disso essas expressões estão culturalmente inseridas em meu repertório e acredito, sim, que não
podemos nos despir totalmente da religiosidade. Mas não costumo dizer “Se deus quiser...”. Acho uma forma fácil de resolução de problemas. Quem tem que querer somos nós, se não der certo, a culpa é somente nossa!